Quem inventou o ChatGPT? A história por trás do chatbot que mudou a IA
Por Bianca Moreira, jan 23 2026 0 Comentários

O ChatGPT não surgiu do nada. Ele não foi criado por um único gênio em uma garagem, nem por uma grande empresa que decidiu, de repente, entrar na inteligência artificial. Ele é o resultado de anos de pesquisa, de fracassos, de investimentos bilionários e de uma equipe que acreditou que máquinas poderiam entender e responder como humanos. E se você já usou o ChatGPT para escrever um e-mail, explicar um conceito difícil ou até fazer piada, já está vivendo o legado de quem o inventou.

Quem está por trás do ChatGPT?

O ChatGPT foi desenvolvido pela OpenAI, uma organização de pesquisa em inteligência artificial fundada em 2015 com o objetivo de garantir que a IA beneficie toda a humanidade. Mas a OpenAI não é uma pessoa - é uma equipe. E dentro dessa equipe, alguns nomes se destacam como os principais arquitetos do modelo que tornou o ChatGPT famoso.

O nome mais importante é Sam Altman, o CEO da OpenAI desde 2019, que liderou a estratégia de comercialização e expansão do ChatGPT. Ele não escreveu o código, mas foi quem decidiu lançar o produto para o público em massa, em novembro de 2022. Foi ele quem viu o potencial de transformar um modelo de pesquisa em uma ferramenta usada por milhões.

Porém, o cérebro técnico por trás do ChatGPT é Ilya Sutskever, um cientista de IA russo-israelense que foi diretor de pesquisa da OpenAI e um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento da arquitetura GPT. Ele trabalhou diretamente com o modelo GPT-3 e GPT-4, os blocos de construção que permitem ao ChatGPT entender linguagem natural, gerar textos coerentes e até manter conversas complexas.

Como o ChatGPT se conecta ao GPT?

ChatGPT não é um modelo isolado. Ele é uma versão adaptada do GPT, uma família de modelos de linguagem criada pela OpenAI, onde GPT significa "Generative Pre-trained Transformer". O primeiro GPT foi lançado em 2018, mas foi o GPT-3, lançado em 2020, que realmente mudou o jogo. Ele tinha 175 bilhões de parâmetros - ou seja, 175 bilhões de conexões internas que permitem ao modelo aprender padrões de linguagem.

Antes do GPT-3, modelos de IA eram fracos em entender contexto. Eles respondiam de forma mecânica, repetiam frases ou saíam do assunto. O GPT-3 mudou isso. Ele conseguia escrever poemas, explicar teorias físicas e até codificar em Python. Mas ainda não era bom em conversar. Foi aí que a OpenAI treinou uma versão específica do GPT-3 - com feedback humano - para responder de forma mais natural, segura e útil. Essa versão se tornou o ChatGPT.

O treinamento com feedback humano foi a chave. Pesquisadores da OpenAI pediram a pessoas reais que escrevessem perguntas e respostas ideais. Depois, usaram essas respostas para ensinar o modelo a escolher respostas melhores. Isso fez o ChatGPT parecer mais humano - não porque ele entende, mas porque ele aprendeu a imitar a forma como humanos se comunicam.

Quem são os outros nomes importantes?

Além de Altman e Sutskever, outros cientistas tiveram papel fundamental. Greg Brockman, cofundador da OpenAI e ex-presidente, foi quem construiu a infraestrutura técnica que permitiu treinar modelos tão grandes. Ele liderou a equipe que montou os supercomputadores da OpenAI, sem os quais o GPT-3 e GPT-4 não seriam possíveis.

John Schulman, um pesquisador de aprendizado por reforço, foi essencial para desenvolver o método de treinamento chamado RLHF - "Reinforcement Learning from Human Feedback". Esse método é o que torna o ChatGPT capaz de evitar respostas perigosas, enganosas ou ofensivas. Ele não é perfeito - mas é muito melhor do que qualquer modelo anterior.

E não podemos esquecer Demis Hassabis, da DeepMind, que, embora não tenha trabalhado diretamente no ChatGPT, influenciou fortemente a arquitetura dos modelos de linguagem com seus trabalhos anteriores em redes neurais. A OpenAI não trabalhou sozinha. Ela se inspirou em pesquisas da DeepMind, da Google, da Meta e de universidades como Stanford e MIT.

Evolução dos chatbots desde os anos 60 até o ChatGPT, mostrada como uma linha de tecnologia crescente.

O que veio antes do ChatGPT?

Se você acha que o ChatGPT é algo novo, saiba que ele está no topo de uma longa linha de evolução. O conceito de máquinas que conversam existe desde os anos 1950. Alan Turing, o matemático britânico, propôs em 1950 o "Teste de Turing" - uma forma de medir se uma máquina pode enganar um humano acreditando que é outra pessoa. O primeiro chatbot real foi o ELIZA, criado em 1966, que simulava um psicoterapeuta respondendo com frases genéricas.

Depois vieram o A.L.I.C.E. (1995), o Siri (2011), o Alexa (2014) e o Google Duplex (2018). Mas todos eles usavam regras, bancos de dados ou modelos pequenos. Eles não "entendiam". Eles apenas procuravam padrões. O ChatGPT é diferente. Ele gera texto do zero, com base em trilhões de palavras que leu. Ele não copia - ele cria.

Por que isso importa?

Quem inventou o ChatGPT não é só uma pergunta de curiosidade. É uma pergunta de poder. Porque quem criou o modelo também define como ele é usado. Se a OpenAI decidisse que o ChatGPT só poderia responder perguntas sobre ciência, ele seria uma ferramenta acadêmica. Se permitisse respostas sobre política, ele se tornaria uma arma de desinformação. Se fosse aberto ao público, se tornaria um assistente global.

Hoje, o ChatGPT é usado por estudantes, jornalistas, médicos, advogados e até por pessoas que querem aprender a cozinhar. E tudo isso começou com um grupo de pesquisadores que acreditou que a linguagem era a chave para a inteligência. Eles não queriam apenas criar um chatbot. Eles queriam construir uma ponte entre humanos e máquinas.

Mãos diversas unidas em torno de uma esfera luminosa, simbolizando a colaboração humana por trás da IA.

Como o ChatGPT evoluiu desde 2022?

Desde seu lançamento em novembro de 2022, o ChatGPT passou por várias atualizações. A versão original era baseada no GPT-3.5. Em março de 2023, a OpenAI lançou o ChatGPT com GPT-4 - mais rápido, mais preciso, capaz de entender imagens e responder com mais contexto. Em 2024, a versão GPT-4o foi lançada, com melhorias significativas em velocidade e compreensão de linguagem coloquial.

Em 2025, a OpenAI começou a integrar o ChatGPT com ferramentas externas: planilhas, bancos de dados, APIs de clima e até sistemas de saúde. Isso significa que o ChatGPT hoje não é só um chatbot - é um assistente inteligente que pode agir no mundo real.

Quem realmente "inventou" o ChatGPT?

Se você quer uma resposta simples: foi a OpenAI. Mas se quer entender de verdade, é preciso ver o ChatGPT como um produto coletivo. Ele é feito de:

  • Algoritmos criados por Ilya Sutskever e John Schulman
  • Infraestrutura construída por Greg Brockman
  • Visão estratégica liderada por Sam Altman
  • Dados de milhões de textos da internet
  • Feedback de milhares de usuários que corrigiram suas respostas
  • Pesquisas anteriores de Turing, Hinton, LeCun e outros

Então, quem inventou o ChatGPT? Não foi uma pessoa. Foi uma comunidade. Uma comunidade de cientistas, programadores, escritores, críticos e usuários. E você, ao usar o ChatGPT, também faz parte disso.

O ChatGPT foi inventado pela Microsoft?

Não. A Microsoft é uma grande investidora da OpenAI, com bilhões de dólares investidos desde 2019. Ela forneceu a infraestrutura de nuvem (Azure) e ajudou a escalar o ChatGPT, mas não o criou. A OpenAI mantém sua independência técnica e de pesquisa, mesmo com o apoio da Microsoft.

O ChatGPT é o primeiro chatbot inteligente?

Não. Chatbots existem desde os anos 60. Mas o ChatGPT é o primeiro que consegue manter conversas complexas, entender contexto, lembrar o que foi dito antes e gerar textos originais com fluidez humana. Ele supera todos os anteriores em qualidade, versatilidade e escala.

Por que o ChatGPT às vezes responde errado?

Porque ele não "sabe" nada. Ele não tem memória nem consciência. Ele prevê a próxima palavra com base em padrões que aprendeu. Se os dados de treinamento contêm erros, ele repete. Se a pergunta é ambígua, ele adivinha. Isso é chamado de "alucinação de IA" - e ainda é um dos maiores desafios da tecnologia.

O ChatGPT é gratuito?

Sim, existe uma versão gratuita com acesso ao GPT-3.5. Mas a versão mais avançada, com GPT-4, GPT-4o e recursos como análise de arquivos e navegação na web, exige uma assinatura paga (ChatGPT Plus). A versão gratuita tem limites de uso e respostas mais lentas.

O ChatGPT pode substituir professores ou jornalistas?

Não pode substituir - mas pode ajudar. Um professor ainda é necessário para explicar conceitos, dar feedback e motivar. Um jornalista ainda é necessário para verificar fatos, entrevistar pessoas e entender contexto humano. O ChatGPT é uma ferramenta, não um substituto. Quem usa bem, ganha tempo. Quem confia cegamente, corre riscos.